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Manifestantes e Almagis publicam notas de repúdio sobre protesto em Marechal

Bope foi acionado para liberar rodovia

Depois das confusões ocorridas durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Alagoas, nesta sexta-feira (17), os movimentos sociais sem terra e a Associação Alagoana de Magistrados (Almagis) encaminharam notas de repúdio à imprensa. Primeiro, durante à tarde, foram os movimentos sociais que lamentaram a ação adotada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) no protesto que bloqueava o trevo de acesso ao pólo industrial de Marechal Deodoro, na manhã desta sexta-feira (17). No documento, os manifestantes repudiam o fato de os policiais terem atirado contra os trabalhadores.

À noite, foi a vez da Almagis repudiar a “maneira hostil” da manifestação dos movimentos sociais. Em meio à confusão que se formou na estrada de acesso a Marechal Deodoro, até o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Sebastião Costa Filho, se envolveu e arrancou um pedaço de pau das mãos de um manifestante. Em nota, a Almagis disse reconhecer o direito da livre manifestação e a proteção da integridade física de seus participantes, “mas ressalta que os protestos devem ser realizados como forma de reunião pacífica de cidadãos no espaço público, com o objetivo de expressar opiniões ou revindicações”.

Movimentos dizem que acordo feito com Presidência da República foi quebrado

De acordo com a nota enviada pelos movimentos sociais, o protesto tinha o objetivo de denunciar o baixo orçamento investido nas políticas agrárias e o sucateamento dos órgãos responsáveis por sua atuação. Os trabalhadores alegam que esta situação prejudica dez mil famílias acampadas e mais quinze mil assentadas no estado.

Em reunião na última quinta-feira (16), atendendo a uma solicitação da presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Amélia Fernandes, conforme diz o texto, as coordenações dos movimentos do campo foram informadas, por meio de assessores da Presidência da República, que deveriam ficar, no mínimo, a 300 metros de distância da solenidade com a presidente Dilma Rousseff.

No entanto, ao chegar no trevo de acesso, que fica a cerca de dez quilômetros do local da inauguração da nova fábrica da Braskem, os manifestantes alegam que foram abordados pela Polícia Militar e impedidos de uma maior aproximação. A situação foi comunicada ao assessor da presidência José Claudenor Vermohlen, que revelou, segundo os manifestantes, que o bloqueio foi realizado por iniciativa do governo estadual. Contudo, o secretário do gabinete civil, Álvaro Machado, teria alegado por telefone que a ordem partiu da Presidência.

Para garantir o acesso ao local e a entrega da pauta de reivindicação, os movimentos do campo optaram pela interdição da via, o que gerou congestionamento, deixou autoridades que se dirigiam a solenidade de inauguração da nova fábrica da Braskem presas no engarrafamento. A situação também resultou em confronto com a polícia.

A nota é assinada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL).

Confira na íntegra a nota dos movimentos sociais:

Os movimentos sociais do campo em defesa da Reforma Agrária do estado de Alagoas vem a público lamentar e repudiar a ação violenta do Estado brasileiro através da ação do Batalhão de Operações Especiais – Bope, que atirou contra os trabalhadores e trabalhadoras na manhã de hoje, 17 de agosto, no trevo de acesso ao pólo industrial de Marechal Deodoro. A ida dos trabalhadores tinha como objetivo, denunciar a paralisação da Reforma Agrária, o baixo orçamento investido nas políticas agrárias e o sucateamento dos órgãos responsáveis por sua realização, que prejudicam 10 mil famílias acampadas e as 15 mil assentadas no estado.

Dos esclarecimentos:

• No dia 16 de agosto, atendendo solicitação da presidenta da CUT Amélia Fernandes, as coordenações dos movimentos do campo, reuniram-se com os assessores da presidência da república, entre eles José Claudenor Vermohlen (Zeca), para discutir à respeito da participação durante a visita da presidenta Dilma para a inauguração da fábrica da Brasken, em Marechal Deodoro;

• Fomos informados que os manifestantes ficariam à 300m de distância da presidenta e de seus convidados;

• Chegando ao trevo que dá acesso ao pólo, cerca de 10 km de distância do local do evento, fomos abordados pela Polícia Militar de Alagoas, que impediu o acesso ao local definido pela assessoria da presidência;

• Entrando em contato com o assessor da presidência, José Claudenor Vermohlen, informamos que fomos impedidos de chegar ao local pelo aparato policial, e o mesmo nos informou que a ordem do bloqueio partiu do Governo do Estado de Alagoas. Em contato telefônico com secretário do gabinete civil, Álvaro Machado, alegou-se que a ordem de não permitir o acesso veio da Presidência da República;

• A interdição da rodovia, era simplesmente para garantir o acesso ao local e a entrega da pauta de reivindicação dos movimentos do campo;

• Ainda em processo de negociação, chega o Bope disparando balas de borrachas e bombas de efeito moral, numa verdadeira ação de guerra contra cerca de 250 trabalhadores, incluindo crianças, idosos e uma gestante.

Não havendo respostas para a paralisação da Reforma Agrária, o governo Dilma continua dando sequência a sua política de negligência e descaso com as reivindicações dos movimentos sociais, abrindo mão do diálogo e adotando práticas e medidas violentas para com os trabalhadores e trabalhadoras do campo.

Confira na íntegra a nota da Almagis:

NOTA PÚBLICA

A Associação Alagoana de Magistrados (Almagis), através de sua Diretoria Executiva, vem de público manifestar seu repúdio em função da maneira hostil de manifestação realizada hoje (17) por integrantes de Movimentos Sociais.

Durante o protesto, os manifestantes bloquearam a BR-316, agredindo motoristas e danificando veículos, entre eles o carro do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), onde estavam o presidente da Corte alagoana, desembargador Sebastião Costa Filho, a vice-presidente do TJ/AL, desembargadora Nelma Torres Padilha, e o desembargador José Carlos Malta Marques.

A Associação Alagoana de Magistrados reconhece o direito da livre manifestação e a proteção da integridade física de seus participantes, mas ressalta que os protestos devem ser realizados como forma de reunião pacífica de cidadãos no espaço público, com o objetivo de expressar opiniões ou revindicações.

A Almagis destaca o empenho do presidente do Tribunal de Justiça em solucionar os problemas das causas sociais. Diante dos constantes protestos, o magistrado vem pessoalmente intermediando negociações na tentativa de garantir os direitos das classes.

Reafirmamos o respeito às manifestações sociais, desde que dentro dos limites do Estado Democrático de Direito.

Maceió, 17 de agosto de 2012.

ASSOCIAÇÃO ALAGOANA DE MAGISTRADOS – ALMAGIS DIRETORIA EXECUTIVA

Pedro Ivens Simões de FrançaPresidente

Wlademir Paes de LiraVice-Presidente Administrativo

Eliana Normande AcioliVice-Presidente Financeiro

Claudemiro Avelino de SouzaVice-Presidente Sócio-Cultural

Silvana Lessa OmenaVice-Presidente de R. Públicas Antônio Rafael Wanderley Casado da SilvaVice-Presidente de Esporte e Lazer José Francisco da Costa FilhoVice-Presidente dos Aposentados.

Fonte: TNH

 

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