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“Queremos que sejam levados a júri popular e peguem pena máxima”, afirma pai de Erick

Em conversa com o Correio de Alagoas, o pai de Erick Ferraz, o modelo assassinado, não era de prazer pela prisão de Judarley Leite, um dos acusados de atirar contra seu filho. No entanto, Edglemes dos Santos se disse mais tranquilo e esperando o que chama “a reta final da justiça”.

“Fiquei sabendo logo cedo da prisão, mas o promotor pediu para aguardar que a prisão fosse oficializada. Meu filho não volta, mas a prisão acalenta um pouco. Essa foi a primeira parte da justiça, do dever cumprido”, afirma Edglemes, pai de Erick.

A luta agora é pela transferência do julgamento da Comarca de Viçosa para Maceió com o intuito de evitar, segundo Edglemes, interferência da família dos irmãos Judarley (preso nesta terça) e Jasley (há oito meses) que tem influência na cidade. O pai dos acusados já foi vereador e presidente da Câmara e é candidato no pleito deste ano.

“Se for em Viçosa, achamos complicado. Eles têm muita gente a favor. As vezes que fomos lá vimos um homem com três roupas diferentes nos observando. Fizeram até um abaixo assinado em favor do policial dizendo que ele era inocente. Só que tem uma testemunha que garante que os dois atiraram”, ressalta o pai da vítima.

Quanto à punição dos irmãos, ele é direto. “Queremos que os dois sejam levados a júri popular e peguem a pena máxima. A minha dor será eterna, pensei inclusive em me matar. Só não fiz isso porque Deus me ajudou e pensei na minha filha e na minha esposa, são elas duas que me dão força para continuar. Quero aqui agradecer à imprensa, aos amigos que nos apoiaram”, declara Edglemes.

Fonte: Correio de Alagoas

2 Comentários

  1. Uma Amiga!!! disse:

    O INACABADO QUE HÁ EM MIM.

    Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.
    Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo,
    O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos.
    Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.
    Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.
    Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão.
    Eu sou inacabado. Preciso continuar.
    Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.
    Padre Fabio de Melo

  2. Uma Amiga!!! disse:

    LUIZA, A MULHER QUE NOS ENSINA.

    Luiza é o seu nome. A dor que sente não tem nome. Brota das razões mais secretas da alma. Coisa de mãe, coisa de gente que soube recriar o mundo a partir do próprio ventre. A maternidade coloca as mulheres numa parceria invejável com Deus!
    Luiza contou-me rapidamente sobre sua dor. Eu não pude ver os seus olhos, mas pude escutar sua alma.
    O seu filho de 30 anos, médico, oficial da marinha estava morto. Vítima de uma fatalidade, perdeu a vida ao atravessar um cruzamento em Florianópolis.
    Depois que ouvi Luiza eu fiquei pensando no mistérios das perguntas que nos rondam, toda vez que a dor vem nos visitar.
    Fiquei tentando entender o quanto deve ser difícil para uma mulher ter que protagonizar a imagem da Pietá, a virgem que segura o filho morto nos braços, aos pés do calvário.
    Recolher o filho do chão, aconchegá-lo ao colo e despedir-se dele definitivamente.
    A crueza da cena é uma proposta ao silêncio. Arranca-me do mundo das palavras, das respostas prontas e faz-me sentar ao chão, ao lado da mãe, para que eu possa ouvir sua respiraçao ofegante de dor.
    Arranca-me dos meus livros, da minha Teologia sistematizada e convida-me a sujar-me na terra do calvário, onde o sangue do filho mistura-se às lágrimas da mãe.
    Mistura diferente daquela que o troxe à vida, quando o seu sangue circulava dependente do sangue da sua primeira mulher.
    Lágrimas diferentes de tantas outras já derramadas. Lágrimas de alegria por ver o filho dar os primeiros passos; lágrimas de preocupação em noites em que ele demorava voltar pra casa. Lágrimas de vitória, quando em noite especial e de gala, aquele garoto crescido, que até tão pouco tempo lhe confiava os joelhos esfolados de futebol, de quedas de bicicleta, agora estava pronto para medicar as dores do mundo.
    Um filho especial, como ela mesma me confiara.
    Luiza e sua dor. Luiza e suas saudades. Luiza e suas lições.
    Fiquei pensando nas minhas pequenas reclamações. Nos cansaços diários que me desiludem e que me despregam da alegria. Pensei no coração de Luiza e quis deixar de reclamar da vida.
    O meu sofrimento perde a sua força quando eu o coloco ao lado dssa mulher. E nisso já está a ressurreição do seu filho. Esta dor nos ensina e nos coloca no rumo da sabedoria. Da mesma forma que Maria nos aponta para o sofrimento de Jeus, para que entendamos o nosso sofrimento.
    Maria e Luiza são mulheres parecidas nesta hora. Ambas embalaram o filho morto nos braços. Canções de ninar secretas foram entoadas nos silêncios dos lábios. O choro de mãe é oração que tem o poder de mudar o mundo. Só precisamos parar para ouvir…
    Hoje, no silêncio de sua dor, pare pra pensar no sofrimento de Luiza. Exercite-se na proeza de esquecer o que lhe aflige, e recorde-se dessa mulher que desconhecemos o rosto, mas conhecemos a dor. Ela tem muito a nos ensinar. Ela é um livro que pode ser lido sem palavras. Ela é um testemunho vivo de que na vida, mesmo nas perguntas mais doídas, há sempre uma esquina que pode nos dar outras opções, além da morte.
    Na prece silenciosa que essa mãe nos desperta, permaneçamos.
    Amém.
    Padre Fábio de Melo

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