
Um laudo da Polícia Científica de Alagoas confirmou, nesta quarta-feira (12), a presença do inseticida metomil na “raizada” relacionada ao caso de intoxicação coletiva registrado em Pariconha, no Alto Sertão de Alagoas. A mesma substância foi detectada em amostras biológicas de dois sobreviventes.
As análises foram realizadas pelo Laboratório de Química e Toxicologia Forense. Foram examinadas duas garrafas de cachaça da mesma marca e uma garrafa pet que armazenava a mistura artesanal consumida pelas vítimas.
Segundo a investigação, o conteúdo das garrafas de cachaça teria sido utilizado no preparo da bebida colocada no recipiente pet. Os exames, no entanto, identificaram o metomil somente na mistura. Nenhum vestígio do inseticida foi encontrado nas embalagens originais.
“Os exames identificaram a presença do metomil exclusivamente na bebida da garrafa pet. Nas duas garrafas de cachaça originais não foi detectada a presença do agrotóxico”, afirmou o perito criminal Thalmanny Goulart, chefe da unidade de Química do Laboratório Forense.
O Laboratório de Toxicologia Forense também concluiu as análises das amostras biológicas de dois sobreviventes. Os resultados confirmaram a ingestão de metomil, a mesma substância encontrada na bebida e identificada anteriormente no organismo de Gilberto Alves Vicente, de 36 anos.
Gilberto morreu após o episódio de intoxicação coletiva que também deixou outras seis pessoas hospitalizadas, no dia 26 de julho. As vítimas passaram mal durante a feira livre de Pariconha e foram encaminhadas ao Hospital Regional do Alto Sertão, em Delmiro Gouveia. Duas chegaram a ser intubadas, mas os seis sobreviventes receberam alta posteriormente.
O metomil é um inseticida agrícola que afeta o sistema nervoso e pode provocar náuseas, vômitos, diarreia e dificuldade respiratória. A intoxicação também pode causar alterações cardíacas, tremores e fraqueza muscular. Em casos graves, pode ocorrer paralisia da musculatura respiratória, com risco de morte.
Os laudos foram encaminhados à Polícia Civil e à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) para auxiliar na continuidade do inquérito e das ações de vigilância.

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