
Bancários de todo o país aprovaram, em assembleias realizadas na 2ª feira (17.ago.2026), uma paralisação de 24 horas para esta 5ª feira (20.ago), em resposta à proposta apresentada pela Fenab (Federação Nacional dos Bancos) na última rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada 2026.
A decisão veio depois de a Fenab não apresentar um índice de reajuste salarial e colocar em discussão o congelamento do piso de ingresso para novos bancários, além de reajustes diferenciados em 3 faixas salariais, sem detalhar parâmetros ou percentuais.
Durante a reunião, que durou quase 8 horas na 5ª feira (13.ago), os bancos chegaram a propor a redução dos vales-refeição e alimentação em cidades do interior e ameaçaram recorrer ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) para impor o modelo. Depois de um intervalo, recuaram da proposta.
A paralisação foi anunciada no site da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e nos sites dos sindicatos estaduais.
O Comando Nacional dos Bancários, grupo de negociação da Contraf, voltará a se reunir com a Fenab nesta 3ª feira (18.ago), na 8ª rodada de negociações. A próxima mesa faz parte de um processo que se estende desde 24 de junho, quando a categoria entregou oficialmente a pauta de reivindicações e já passou por 7 rodadas, com discussões sobre emprego, tecnologia, saúde, igualdade de oportunidades e cláusulas econômicas.
Os índices de rejeição nas assembleias foram elevados em todas as bases consultadas. Na Paraíba, 96,48% dos trabalhadores recusaram a proposta da Fenab e 95,02% votaram pela paralisação. Em São Paulo, 97,66% rejeitaram a proposta e 89,34% aprovaram a paralisação. No Rio de Janeiro, de 1.808 votantes, 1.760 foram contra a proposta dos bancos e 1.709 favoráveis à paralisação.
“A rejeição da proposta e a deliberação pela paralisação de advertência de 24 horas na 5ª feira (20.ago) foi uma resposta da categoria à intransigência, ao desrespeito e ao descaso dos bancos com bancárias e bancários que cumprem metas absurdas e abusivas, sofrem pressão, assédio moral e adoecem, dando o melhor de si para aumentar os exorbitantes lucros dos bancos, que fecham pontos de atendimento presencial e demitem sem piedade, inclusive os que estão em tratamento de doença ocupacional. Somos feitos de esperança, movidos pela luta e vamos usar nossa arma constitucional em busca de uma proposta decente. Juntos somos mais fortes e só a luta nos garante!”, disse o presidente do Sindicato dos Bancários da Paraíba, Lindonjhonson Almeida, em nota.
Entre as demandas centrais estão aumento real nos salários e demais remunerações, valorização da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), recomposição dos vales-alimentação e refeição, fim do fechamento de agências, manutenção dos empregos, combate às metas abusivas e ao assédio algorítmico, mais contratações e igualdade de oportunidades para mulheres, negros, pessoas com deficiência (PCD) e população LGBTQIA+.
A Contraf também defende a criação de um piso salarial para trabalhadores de TI (Tecnologia da Informação) e a manutenção da mesa única de negociação com cobertura da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) para toda a categoria.
Para a presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, o resultado das assembleias reflete o sentimento dos trabalhadores diante de uma proposta considerada insuficiente, depois de um setor que gerou mais de R$ 124 bilhões de lucro só em 2025.
“Também reforça que a categoria não aceitará propostas sem avanços concretos em temas essenciais, como reajuste salarial, valorização da PLR e recomposição dos vales-refeição e alimentação. Vamos intensificar a mobilização e dar um grande recado na paralisação do dia 20”, concluiu.
A Contraf sustenta o movimento com dados sobre a rentabilidade do setor e o custo para os trabalhadores.
O patrimônio líquido do setor bancário chegou a R$ 1,2 trilhão em 2025, e o lucro por integrante é de R$ 438.000. A remuneração média anual dos altos executivos dos 3 maiores bancos privados deve alcançar R$ 12,5 milhões em 2026, valor 120 vezes superior ao ganho anual de um escriturário.
Segundo o Comando, no mesmo período, as condições dos trabalhadores pioraram. O vale-alimentação acumula perda real de 13% entre 2019 e 2025. Para recompor o poder de compra daquele ano, o valor mensal precisaria subir de R$ 924,47 para R$ 1.293,73, um reajuste de 40%.
Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% dos bancários fizeram uso de medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes. O setor também eliminou 88.000 postos de trabalho e fechou 9.500 agências entre 2015 e 2025, enquanto os 5 maiores bancos ampliavam em 49% os contratos com prestadores de serviços terceirizados.
A presidente da Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro), Adriana Nalesso, chamou atenção para a demanda que ainda existe pelo atendimento presencial. “Percebemos um fluxo muito maior nas agências em início de mês nos bairros, em função da presença dos aposentados nas agências. Há também no Brasil cerca de 17 milhões de brasileiros que ainda não têm internet”, disse, citando dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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