
O último fim de semana voltou a assustar os moradores do trecho entre as ruas 28 de Outubro e rua Beira da Lagoa, no povoado de Barra Nova, na Ilha de Santa Rita, em Marechal Deodoro, quando o avanço do mar sobre o canal da lagoa atingiu muitas casas, dando continuidade ao processo de destruição dos últimos anos. E foi devido aos constantes episódios de erosão e ressacas ao longo dos anos, que a Prefeitura de Marechal Deodoro e os próprios moradores realizaram intervenções emergenciais, como em janeiro de 2019 e em fevereiro de 2022, quando foram instalados novos trechos de muros de contenção e barreiras de pedras após decretos de emergência.
Em setembro de 2024, novas ressacas violentas acabaram destruindo parte das barreiras de contenção que haviam sido feitas pela prefeitura, levando os próprios moradores locais a se mobilizarem com sacos de areia e recursos próprios para tentar frear a água. E neste último fim de semana, a obra de construção executada pela prefeitura do muro de arrimo ou estrutura de contenção marítima, que é uma obra de engenharia pesada e altamente complexa, desabou completamente neste trecho. Além disso outras estruturas na região também sofreram danos devido à força das marés.
A empresária Alice Melo, proprietária do Galeto Barra Nova e de uma casa de aluguel quase em frente à antiga Prainha, empreendimento com mais de 20 anos, está preocupada com o avanço da destruição. “A obra de contenção diante dos meus negócios, fui eu quem fiz, com licença e autorização, mas pegando dinheiro de banco para custear, e para proteger os empreendimentos. Todos os anos passamos pelos mesmos problemas nas grandes marés. E esse fim de semana não foi diferente. E é só olharmos para o lado direito ou esquerdo, que vamos ver as casas destruídas, perdendo seus muros e piscinas. Muito triste nisso. Estamos pedindo socorro à prefeitura”, afirma a empresária.
O primeiro grande projeto estruturado para conter o avanço do mar, neste caso, na Prainha da Barra Nova, foi iniciado em 2008. Na ocasião, o engenheiro civil Marco Lyra instalou uma tecnologia de dissipador de energia chamada bagwall, que inclusive permitiu uma engorda e recuperação natural da praia nos anos seguintes.
E segundo especialistas a solução para conter a erosão costeira em Barra Nova existe: é o Bagwall. A erosão costeira no povoado vem sendo acompanhada desde agosto de 2008, quando foi implantada a estrutura do Dissipador de Energia Bagwall (DEB). Ao longo dos anos, estudos realizados por uma equipe multidisciplinar vêm demonstrando a eficácia da estrutura na dissipação da energia das ondas e na estabilização do trecho protegido.
Os resultados observados indicam uma tendência de estabilidade da linha de costa e apontam que a implantação do Bagwall contribuiu para a progradação em aproximadamente 90% da área estudada, favorecendo a recuperação do ecossistema costeiro. Para o engenheiro Marco Lyra, alagoano que criou a tecnologia do dissipador de energia, e um dos maiores especialistas do Brasil em recuperação de praias. “É importante destacar que a dinâmica costeira é permanente. A morfologia da costa continua sujeita à ação das ondas, correntes, marés e demais processos hidrodinâmicos. Por isso, outros trechos de Barra Nova permanecem vulneráveis ao avanço do mar e à erosão”.
Para ele e outros especialistas, a alternativa existe, e além de ser eficaz, é também sustentável, já que o avanço do mar sobre Barra Nova exige planejamento, responsabilidade e ação imediata. A experiência acumulada desde 2008 oferece uma referência concreta para a adoção de medidas de proteção costeira.
A Associação dos Moradores afirma que a Barra Nova não pode esperar a erosão avançar ainda mais. É preciso agir para proteger a comunidade, o patrimônio, a faixa costeira e o ecossistema. Por isso estão lançando o projeto SOS Barra Nova, pela contenção da erosão costeira, pela proteção da comunidade e pela preservação do litoral.

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