
A Polícia Federal em Alagoas abriu, nesta segunda-feira, 13, canais de comunicação para que a população possa ajudar com denúncias sobre a morte do elefante-marinho ‘Leôncio’. O animal foi encontrado morto no dia 31 de março, em Jequiá da Praia, Litoral Sul do estado, com sinais de violência brutal por ação humana.
“Qualquer informação sobre a morte do elefante-marinho conhecido como ‘Leôncio’, ocorrida recentemente em Jequiá da Praia, ajudará nas investigações conduzidas pela Polícia Federal. Todas as informações serão tratadas como confidenciais e a identidade do comunicante preservada”.
A população poderá utilizar os canais abaixo para denúncias:
Telefone: (82) 3216-6767
Instagram: @pfalagoas
A decisão ocorre após o Ministério Público Federal (MPF) requisitar a instauração de inquérito policial à Polícia Federal. A medida foi adotada após a análise de laudo técnico que aponta indícios de ação humana na morte do animal.
De acordo com o despacho assinado pelo procurador da República Lucas Horta, a materialidade do crime está comprovada por exame de necropsia, que concluiu que o animal sofreu politraumatismo grave causado por instrumento cortante, com lesões provocadas ainda em vida.
Em tese, a conduta se enquadra como crime contra a fauna, previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), por matar espécime da fauna silvestre. O caso pode ter agravante, já que o fato ocorreu na área da Reserva Extrativista (Resex) Marinha de Jequiá da Praia, uma unidade de conservação federal.
Apesar da comprovação do crime, a autoria ainda é desconhecida, o que motivou o pedido de investigação à Polícia Federal.
O animal marinho apareceu pela primeira vez em Alagoas no dia 11 de março, na praia da Carro Quebrado, na Barra de Santo Antônio, Litoral Norte do estado. O Instituto Biota de Conservação e órgãos ambientais realizaram diariamente o monitoramento sobre o elefante-marinho, que aparentava estar saudável e em processo natural de troca de pelagem, segundo o Biota.
Foi o próprio Biota, com o engajamento da população, que batizou o animal de “Leôncio” após votação nas redes sociais. Ao longo dos dias, o animal fez o trajeto descendo pelo litoral alagoano e encantou moradores e turistas. ‘Leôncio’ passou por Paripueira, Ipioca, Ponta Verde e Marechal Deodoro, até chegar em Jequiá da Praia, onde foi encontrado morto dias depois.
“Ele apresentou vários sinais de agressão por meio de objetos cortantes. Essas agressões foram tão violentas, pois vários ossos do animal foram cortados, mutilados. Infelizmente elas foram realizadas enquanto o animal estava com vida. São sinais claros mostrados na necropsia, por meio de hemorragias”, disse Bruno Stefanis, diretor-presidente do Biota.
O animal, segundo o Biota, estava em processo de muda de pelagem, algo considerado comum para a espécie e que pode durar de uma a quatro semanas. Durante esse período, é natural que ele permaneça em faixa de areia para descansar.

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