Uma recém-nascida morreu nessa quarta-feira (8) por complicações associadas à chikungunya, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, em São Miguel dos Campos, no interior de Alagoas. Este é o terceiro óbito registrado no município em um intervalo de 39 dias relacionado à doença.
Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, a suspeita é de que a bebê tenha contraído a infecção ainda durante a gestação. A mãe teria sido diagnosticada com chikungunya na fase final da gravidez e, no momento do parto, ainda apresentava a doença.
O parto foi realizado em um hospital da rede privada do município, e o sepultamento da criança ocorreu na manhã desta quinta-feira (9).
O secretário de Saúde de São Miguel dos Campos, Ademir Vieira, afirmou que o caso chamou atenção por envolver uma possível transmissão da mãe para a filha durante o parto. Segundo ele, até então não havia estudos que comprovassem um caso semelhante de transmissão pela placenta nesse momento.
“Essa criança, a mãe estava com chikungunya na fase final da gestação. No momento do parto, ela estava com chikungunya. Até o momento não tinha nenhum estudo que comprovasse ou mostrasse um caso parecido dessa transmissão por placenta na hora do parto, e a criança nasceu com a chikungunya”, explicou.
Ainda de acordo com o secretário, a recém-nascida permaneceu 18 dias viva, mas não resistiu às complicações provocadas pela infecção. “A imunidade dela ficou baixa devido aos sintomas da chikungunya e por ser uma criança muito novinha. Ela não suportou o vírus”, afirmou.
Antes da morte da bebê, outras duas pessoas já haviam morrido em decorrência de complicações associadas à chikungunya no município. Rubenita Lins dos Santos, de 60 anos, faleceu no dia 30 de maio.
A filha dela, Crisleine Lins dos Santos, foi internada no Hospital Escola Dr. Helvio Auto, em Maceió, no dia 23 de junho, e morreu no último sábado (4), 34 dias após a morte da mãe, após o agravamento do quadro clínico.
Panorama das arboviroses em Alagoas
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) divulgou, nesta quarta-feira (8), o Panorama Mensal das Arboviroses em Alagoas, com dados registrados entre 1º de janeiro e 8 de julho de 2026.
No período, o estado contabilizou 3.042 casos prováveis de dengue e dois óbitos confirmados. Em relação à chikungunya, foram registrados 910 casos prováveis e uma morte confirmada. Já a zika apresentou 38 casos prováveis, sem registro de óbitos.
Município intensifica combate ao mosquito
Após o registro de novos casos, a Secretaria Municipal de Saúde de São Miguel dos Campos informou que equipes realizam, nesta quinta-feira (9), uma ação de limpeza e combate ao mosquito Aedes aegypti nos bairros Hélio Jatobá 3 e Jaci Clemente.
O órgão orienta que os moradores contribuam com a mobilização, colocando entulhos e materiais sem utilidade nas calçadas antes da passagem da coleta e eliminando recipientes que possam acumular água e servir como criadouros do mosquito.
Segundo Ademir Vieira, os casos registrados no município estão dentro do esperado para o período de chuvas e de oscilação de temperaturas. “Temos casos na cidade, casos notificados e alguns casos positivos, mas estão dentro da normalidade do período chuvoso e de oscilação de temperaturas”, disse.

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