
Uma das formas de pesca mais antigas da região lagunar de Marechal Deodoro tem como protagonista um pequeno peixe conhecido popularmente como manjuba. Durante décadas, a antiga capital dos alagoanos se destacou como uma importante produtora desse pescado, que era comercializado e abastecia mercados de diversas cidades, principalmente nas regiões Agreste e Sertão de Alagoas.
A atividade, conhecida entre os pescadores como pesca de manjuba ou manjubeira, atravessou gerações e ainda representa uma importante fonte de renda para dezenas de famílias do município. Para muitos profissionais, mais do que uma forma de sustento, a atividade representa a preservação de uma tradição passada de pai para filho.
No século passado, era comum encontrar grandes cardumes de manjuba ao longo de praticamente toda a extensão da lagoa, especialmente entre a região do povoado Pedras e a Croa do Saco. Os pescadores conseguiam retirar grandes quantidades do pescado, que posteriormente era destinado à comercialização.
Com o passar dos anos, porém, a realidade mudou. A escassez da manjuba tem dificultado cada vez mais o trabalho dos pescadores, que atualmente precisam enfrentar jornadas maiores para conseguir uma quantidade de pescado bem inferior àquela encontrada décadas atrás.
Apesar das dificuldades, a tradição permanece viva. Em pleno século XXI, a manjubeira continua fazendo parte da identidade cultural e econômica de Marechal Deodoro, movimentando a economia local e garantindo o sustento de famílias que ainda encontram nas águas da lagoa uma das principais fontes de sobrevivência.
Mais do que uma atividade pesqueira, a pesca da manjuba representa um pedaço da história de Marechal Deodoro, preservado pelas mãos de homens e mulheres que continuam mantendo viva uma arte secular.
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