
O avanço do mar no povoado da Barra Nova, em Marechal Deodoro, vem destruindo imóveis e causando prejuízos frequentes devido a maré alta e à erosão costeira, que atingiu seu ponto máximo na última segunda-feira, 14 de setembro, ao abrir uma enorme cratera de 3 metros de profundidade dentro da área de lazer do restaurante e galeto Barra Nova, depois de colapsar toda a estrutura dos muros de contenção instalados nos últimos 15 anos pela Prefeitura Municipal. Moradores e comerciantes locais vivem sob constante alerta, enfrentando a perda de infraestruturas públicas e propriedades privadas.
A empresária Alice Melo, proprietária do restaurante, instalado no mesmo local há 25 anos, quando adquiriu os terrenos, está preocupada com a destruição total dos muros de arrimo instalados pela prefeitura em 2012, 2019 e mais recentemente em 2022, e que agora avançou sobre a área de lazer do restaurante, abrindo uma cratera de 3 metros de profundidade e 5 metros de diâmetro, derrubando, inclusive, uma enorme amendoeira. “Há mais de 20 anos estamos aqui com o galeto, e nunca vimos algo como nos últimos dias. Estávamos acompanhando a destruição dos muros e avisando a prefeitura. Mas agora a água destruiu completamente a proteção, passou por debaixo do nosso muro e abriu essa enorme cratera. E, novamente ninguém do município veio olhar. Estamos abandonados aqui na Barra Nova”, afirmou ela.
Dona Alice não é a única a pedir socorro ao município. Ao lado do seu empreendimento, muitas casas já foram completamente destruídas, provocando enorme prejuízo aos seus proprietários. Um bom exemplo é uma casa de primeiro andar, de um advogado, vizinha ao galeto, onde a força da maré está arrancando partes da construção, enquanto as ondas continuam atingindo o imóvel.
O muro de arrimo e as barreiras de contenção, obras executadas anteriormente pela Prefeitura de Marechal Deodoro para proteger a orla desabou completamente em trechos críticos, como na área entre a Rua 28 de Outubro e a Rua Beira da Lagoa. Casas e estabelecimentos comerciais situados muito próximos à faixa de areia tiveram estruturas comprometidas, com desabamento de muros, queda de fachadas e invasão direta da água salgada.
Diante da falha das barreiras de pedra e concreto construídas em anos anteriores, a própria população precisou improvisar defesas utilizando sacos de areia para tentar desviar a força das ondas. Especialistas e relatórios ambientais apontam que o problema na Barra Nova decorre de uma combinação de fatores geográficos e humanos, como por exemplo, a dinâmica natural da Barra, já que a região da “boca da barra” possui uma dinâmica natural altamente mutável, onde o canal da lagoa e a linha da costa mudam constantemente de posição ao longo dos anos.
Além disso a construção de edificações sobre a faixa de praia e a consequente destruição da vegetação de restinga, que atua como uma barreira física natural contra a erosão, aceleraram drasticamente os danos provocados pelas marés cheias. Por fim a ausência de planos de impacto ambiental de longo prazo e intervenções que resolvam estruturalmente a dinâmica das correntes locais perpetuam os prejuízos a cada nova temporada de ressacas.
Faz uns 30 anos, com a expansão urbana de Maceió em direção a Marechal, muitas mansões foram construídas bem próximas ao canal da lagoa Mundaú, que já apresentava pequenos alagamentos, sobretudo, nas chuvas de inverno. Uns 15 anos depois, a região sofreu outro abalo com a construção do condomínio Laguna, que alterou completamente as marés do canal, já que a implantação do loteamento de alto padrão modificou de forma definitiva a dinâmica costeira e as marés do canal. Esse impacto ambiental trouxe consequências severas para a região ao longo dos anos, responsável, inclusive, pelo desaparecimento da famosa Prainha.
A principal solução aplicada com sucesso contra o avanço do mar na região da Barra Nova, foi o uso do dissipador de energia bagwall. Trata-se de uma estrutura de contenção costeira com sacos geotêxteis preenchidos que dissipam a força das ondas antes que atinjam a costa. Uma obra instalada no local em 2008 pelo engenheiro civil Marco Lyra, um dos maiores especialistas em proteção costeira do Brasil, CEO da Ocean Protections, serviu para salvar centenas de metros de faixa de terra e dezenas de residências, tornando-se referência nacional em proteção costeira sustentável.

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